POESIA DIVERSA- A noite
NOVO CICLO LIVRE...
POESIA
DISPERSA
1 - A NOITE
E a
noite desceu
Sobre
meus olhos cansados
De Sol
E da
ausência dos teus.
Esperava-a
negra e opaca
Ocultando
todos os seus
e meus
mistérios.
Foi
crescendo
como prolongamento
do dia
olhos
brilhantes
grandes
de que
não consigo ver o limite.
E o
descanso dos meus olhos
Esperado
Foi um
descanso adiado!
A
noite nem sempre é boa conselheira
E
muitas vezes é
Pior
companheira
2 – DÚVIDAS
Quem me dera ser capaz
De forma satisfatória
Definir o que é o Amor.
Já o tentei de várias formas
Já o li de muitas mais
Muitas sendo parecidas
Nenhumas delas são iguais.
E amar ?
Será saber quando se espera
Se espera por alguém?
Será a sensação de estar sempre atrasado
por que está a
ser esperado?
Será ver de
olhos fechados a imagem dos que se desejam?
Ou será exatamente
esta busca louca e em convulsão
De não ser
capaz de encontrar explicação?!
3 - SAUDADE?
De vez em quando
Inexplicavelmente
Dou comigo a querer dizer:
Morro de saudade!
Só que nunca sei de quê!...
DESTEMPANDO O TEMPO E O MODO
I
1 - Lua:
Astro
frio
A quem só os
poetas transmitem
O calor do Sol
e do Amor !
2 - Sol:
Fauno
incandescente
Violador
implacável das musas galácticas
E da noite
cósmica !
3 - Noite:
Incesto natural
e pontual
Com seu filho –
o dia
Do qual nem
sempre nasce…o Sol
Dia:
Sorrateiro amante
Abandonando a mãe –
noite
Com quem marcou ovos
encontros
Por vezes com
lágrimas nos olhos !
Que há-de
transformar-se em Terra
À chegada do meu
poema
Mesmo sem anjos a
recebê-lo !
Terra:
Que tento
transformar em céu
Colocando anjos e
flores
No lugar das bombas
!
Mar:
Que rio serías se
não fosses
Salgado ?
Rio:
Quando cresceres
queres ser
Mar ?
!
Vento:
Brisa que em fuga o
poema
E foi dizer longe
aos poetas Novas do seu País!
Nevoeiro:
Vertigem de nuvem
aqui à mão !
Granizo :
Lágrimas
petrificadas da chuva !
Arco-iris :
O engalanar para a
grande romaria !
Núvem :
Sombra de mais ou
menos fresca
Que o Sol não
consegue transmitir !
Relâmpago:
A essa
velocidade…não iluminas nada!
Trovão:
Mas que susto !...
Santa Bárbara bendita!
DISPERSOS
… e o Mar…à noite
Deixará de estar suspenso dos olhos
Das gaivotas
E saciará sua fome
De escamas de
sereias incompletas
Nós seremos como o vento
As testemunhas dos sonhos profundos
Para se cumprirem
à flor da pele !
Reis Caçote
!
DESTEMPANDO O
TEMPO E O MODO
I
Lua:
Astro frio
A quem só os poetas transmitem
O calor do Sol e do Amor !
Sol:
Fauno incandescente
Violador implacável das musas
galácticas
E da noite cósmica !
Noite:
Incesto natural e pontual
Com seu filho – o dia
Do qual nem sempre nasce…o Sol !
Sorrateiro amante
Dia:
Abandonando a mãe – noite
Com quem marcou ovos encontros
Por vezes com lágrimas nos olhos !
Que há-de transformar-se em Terra
À chegada do meu poema
Mesmo sem anjos a recebê-lo !
Terra:
Que tento transformar em céu
Colocando anjos e flores
No lugar das bombas !
Mar:
Que rio serías se não fosses
Salgado ?
Rio:
Quando cresceres queres ser
Mar ?
!
Vento:
Brisa que em fuga o poema
E foi dizer longe aos poetas Novas do seu
País!
Nevoeiro:
Vertigem de nuvem aqui à mão !
Granizo :
Lágrimas petrificadas da chuva !
Arco-iris :
O engalanar para a grande romaria !
Núvem :
Sombra de mais ou menos fresca
Que o Sol não consegue transmitir !
Relâmpago:
A essa velocidade…não iluminas nada!
Trovão:
Mas que susto !... Santa Bárbara bendita!
DISPERSOS
… e o Mar…à noite
Deixará de estar suspenso dos
olhos
Das gaivotas
E saciará sua fome
De escamas de sereias incompletas
Nós seremos como o vento
As testemunhas dos sonhos
profundos
Para se cumprirem
à flor da pele !
Reis Caçote
MANDELA
Decididamente,
Não decisivamente
Encerraram-no
Não seguramente
E preparavam-se para descansar
Erradamente !
Não morreu
Não murchou
Cresceu, cresceu, CRESCEUUUUUUUU!
Como hidra no seu meio!
Encheu a cela, os corredores,
subiu pelos muros
Encheu seu País e o Mundo se
encheu
de Solidariedade !
Hoje, 11 de Fevereiro de 1990
Mandela foi libertado !
Mas alguma vez ELE esteve preso ?!....
GAIVOTA
Gaivota
Teu voo-brisa
Será mesmo voo ?
Ou será indecisão tua
Na escolha de azuis
de céu e mar ?!
ESPERA
Da doca
um odor a mar e
a axilas suor
que a brisa atravessando o Sol
Traz até à mesa do café… da
espera .… do Futuro !
ALELUIA
Nos teus olhos de madrugada
e de sono
Envoltos de fumo e suor
Ressurge a vida ainda tensa
VIVER
Devia ter de lágrimas
os olhos rasos,
Devia ter de mágoa
o coração triste
Devia ter de dôr
sofrendo o que não dói.
Sem querer negar tudo o que
afirmo
é de Alegria que Vivo !
INTERROGANDO-ME
Lá fora o largo
Fervilha de gente
Aparentemente feliz.
Talvez por que ainda não
experimentaram
A felicidade a valer !
E eu ? Tê-la-ei já
experimentado ?...
CÉU
Se quando chegar ao Céu
a porta me não for franqueada
Regressarei ao Inferno
Não forçarei a entrada…!
O LIVRO NÃO ESCRITO
Na folha seguinte deste
pautado caderno
Está um título: todos somos
inocentes!
Deveria ser do livro que nunca
escreverei!
De me sentir culpado tenho já
A dose que basta!
DE MIM
É tua uma parte de mim
a parte boa !
Ela cresceu em ramos virginais
Nos teus olhos
Eu roubava-a e a escondia ali
Estás a ver ? À vista de
todos…
E esperava pelo desabrochar
Do aroma as flores
que só eu via !
DA MODA
Deixei o tempo escorrer… de va
gar
Pelas encostas do século
passado
E sem pressa olhei
O convite ao frenesim
enlouquecido
Dos campos de montras da moda
E do modo
E também do medo
Que não tarda por aí
Encavalitado em analíticas
sabedorias
Dos pequenos deuses terrestres
!
CHEGAR
Há locais onde devia estar
sempre a chegar
Depois partir para a chegada
seguinte inventar !
Modificada ao ritmo da entrada
Na mudança mais ínfima que
sucedera
Durante a ausência
No virar da esquina do tempo!
SE AMAINAR
A sensação que ficou
Da trovoada sem relâmpagos nem
trovões
Só vento e folhas pelo ar
E que terão de ser varridas
E guardadas
Assim que a borrasca amainar!
Elas são o que sempre fica
Duma trovoada inventada!
O QUE SEREI ?
Serei capaz de ser tudo
o que pensas que eu sou
Serei também um pouco
do que outros pensam
Serei ainda
o que penso que serei
Mas de facto serei só
O que realmente sou !
MIL FONTES
Na penumbra du chambre
Que só os vapores do Rum
inventavam
Às quatro ou cinco duma
intemporal madrugada
E que era a continuação do dia
e noite anteriores
Só ficou
No olhar um polígono mais
escuro
na véspera desenhado
Na “pálpebra” do lábio
superior
o desgaste de lixa nova
E o alerta libertador:
Eu não tenho qualquer protecção
Para o teu apogeu Poético !
LÁ
Nas terras de xisto
E dos extremos do frio e do
calor
Não havia iluminados !
Até durante o dia
com o Sol a pique e tudo esbrasear
Ficava o fulgor
definitivamente ofuscado !
INICIALMENTE FOI DADO AO GRUPO QUE SEGUEA
DESIGNAÇÃO DE
INCURSÕES NA PLANICIE
I – POEMA
Cai a noite
Sobre as pálpebras cerradas
Dos olhos que a abrir se começam
De néon da cidade…
Iguais sempre
A noite
Os olhos de néon
A cidade
Ausente aquilo que os
tornariam diferentes…
E teus dias são apenas
A antecipação das noites
Só variando com as condições meteorológicas
E as paisagens que são
diversas
E a televisão que da planície
quase nada transmite.
Não trazem sonhos leves
Os teus sonhos agitados
Só pesadelos.
De dedos de mãos crispados
Nos cabelos em desalinho
E um grito que se não ouve
Mas se adivinha
E que na minha noite insone
A teu lado se perde !
A:Reis Caçote
03/1985
II – POEMA
O teu grito
Uivo de solidão
Va juntar-se a outros
… tantos !
Gritando pela mesma ou
Outra razão
Ecoando ecoando
ecoando
Por montes e vales
Transportados nas asas do
vento
Ou se arrastando pelo chão.
Da serra para a planície
Da planície para a serra
Tantas vezes em vão !
Recuso-me a servir de
carcereiro
De teu grito de liberdade !
A:Reis Caçote
03/1985
III – POEMA
Sobre a planície paira rouco
Teu grito de dor
Aguia exausta !
Sobre a planície em chamas
De Sol ateadas,
Ardendo em baixo…
Teu voo circular
Cada vez mais lento
águia cansada!
Teu pescoço já pendendo
Fitando o chão
Águia solitária
Que não busca a presa !
Como vais tu águia exausta
Das alturas do teu grito
Libertar o companheiro preso
Nas malhas da armadilha
Que implacável espera
Tua rendição ?!
Não deixes cegar teus olhos de
mar
Águia só
Da planície prisioneira !
A: Reis Caçote
03/1985
IV – POEMA
Teus olhos de bera-mar
E de águas transparências
Perderam a magia das ondas
Vazados no chão de fogo
Da planície .
Teu apelo de regresso
Não encontrará eco nunca mais
Deusa da mágica planície
Prisioneira !
A: Reis Caçote
03/1985
V – POEMA
Já com os pés em sangue
Na estrada escaldante
Persegues a tua sombra
Alongada agora
Com teus passos de pesadelo,,,
Da planície sabes apenas
Um reflexo de beira-mar
Pincelada breve de sombra
No desértico quadro total
Cuja caminhada iniciaste
E que deves terminar.
A: Reis Caçote
03/1985
VI – POEMA
Tentas em vão
Encontrar
Para as lágrimas ausentes
Uma razão ?
Secaram ? !
Se calhar definitivamente !
E por que não ?
Á assim impiedoso
Para os forasteiros
Este vento suão !
A: Reis Caçote
03/1985
VII – POEMA
Onde estará
A esta hora de Sol poente
O companheiro desta solitária
cegonha ?
Longe já
Muito longe !
Nenhum deles saberá quanto !
A: Reis Caçote
03/1985
VIII – POEMA
Os lábios de terra da charca
Gretaram !
Ontem eram ainda lama
Com duas ou três rãs a
saltarem.
Se os lábios gretados
sangraram
O Sol terá depressa secado as
chagas
E o sangue pulverizou
Pela planície.
E as rãs dão agora
Em direcção à eternidade
O seu último salto !
A: Reis Caçote
03/1985
IX – POEMA
Vai la adiante uma sombra
Coberta por branco véu…?!
Neste reflexo da planície
Em chamas de Sol
Já nem sei se é sombra
Se sou eu !
A: Reis Caçote
03/1985
X – POEMA
Sob o Sol em fogo
Da imensidão plana
Desejava mais poder
Aqui imaginar
O verde
As gaivotas
O mar !
A: Reis Caçote
03/1985
XI – POEMA
Mas será que ainda existem
Gaivotas no mar ?
Ou este olho de ciclope as
afogou
Para de seguida as secar ?!...
A: Reis Caçote
03/1985
XII – POEMA
Porquê de repente
Este silêncio
Que
Com o Sol a pique
Caíu sobre a planície ?
Nem aquela cigarra
Que a “cantar “ naquela sombra
de ramo
Parecia de loucura
Aumentar a planície
Agora eu oiço !
E este meu grito
Que na garganta morreu
Porque o não oiço eu ?
O que irá de mim restar
No final desta peregrinação
Ao santuário da planície
De cujo deus é o Sol ?!
A: Reis Caçote
03/1985
XIII – POEMA
E agora
Da planície
Cantares mágicos
Como irei ouvir-vos ?
Só me resta regressar
Sobre os meus passos
Que não oiço
Que não vejo
Que não sinto…
Passos trágicos !
A: Reis Caçote
03/1985
XIV – POEMA
E cá ao longe
À beira mar
E ao vento
Sem tudo o que perdi
A procurar-te
Hei-de inventar-te
Planície :
Quente
Melancólica
Mágica
Sempre cantando
Ao ritmo do pensamento
E das ondas !
A: Reis Caçote
03/1985
XV – POEMA
As lágrimas que não correm
Hão-de secar.
Quando sob o sol de Verão
Da planície
Eu transformar em nuvens
O rebanho acarrado sob o
chaparro
E à pele queimada do pastor
Eu transmitir uma brisa fresca
De Mar !
A: Reis Caçote
03/1985
XVI – POEMA
Ah, como é diferente
Em Março
Sentado à mesa de um café
Do litoral
Inventar a planície
Inundá-la de sol
Percorrê-la de pés nús
Pelos asfaltos e restolhos !
As debulhadores engolindo
O mar domado de espigas
E as nuvens de terra
Dos caminhos
A poisar sobre os rostos
queimados
E dos tractores.
Não !
Em Março devia
Da planície contar
O sono húmido
E acordar dentro dum mar verde
Ainda à espera do Sol !!
A: Reis Caçote
03/1985
NO
ORIGINAL DATILOGRAFADO FICOU ANOTADO
Esboço bem intencionado e humorado, mas
inconseguido, de alguns dados para uma biografia FAMILIA…
COMEÇANDO PELO “PRINCIPIO”
- Será uma nascida ruim ?
Perguntava a minha árvore ao
doutor
Referindo-se a mim !
Para uma inesperada gestação
Só um tumor podia ser a
explicação!
Serei assim e sempre
Dois dias mais velho
Que os papéis do meu concelho!
Não confiantes certamente na
minha capacidade de enfrentar
Este ponto de interrogação
A vida…
Fui registado a quatro quando
devia ser a dois
E assim não houve
contravenção.
Vivo hoje adiantado dois dias
ao presente dos papéis.
Resta-me a certeza e o segredo
De para eles morrer
Dois dias mais cedo!
Reis Caçote
03/84
NASCIMENTO
Nasceu um menino
Clandestino
Na fronteira da
Alta Beira
De 1939.
Fruto de uma soma
De resultado 83
O seu dia foi dois
E Março o seu mês.
Como consequência de uma falta
Nasceu um menino na Beira
Alta.
Quase dez anos
Que horror !
O separavam do menino anterior
Logo, só podia ser um tumor !
A mãe natureza para o compensar
Cobriu de verde o chão
E as amendoeiras de flor
Enfeitando-lhe o berço de cor
E perfumando-o de um suave
odôr.
Pouco profundas suas raízes
Na montanha
Logo um vento nordeste o levou
Para longínqua terra estranha.
Onde riu e chorou
E lutou na rua
Não para conquistar espaço
E terra da adolescência
Que era já sua.
Deambular
Por instabilidade
De sua existência faz parte
Na busca constante de um pouco
de arte.
Mas hoje
Na instituição
Deambula apenas o espirito…
A matéria não !
A: Reis Cacote
03/1983
A GRANDE BATALHA
Uns atrás dos outros
Sorrateiramente
Por vezes se arrastando
Pelas rugas do cansaço…
Uns atrás dos outros
Como grupo de forcados na
arena ´
O da frente provocando a
investida
Do medo que aumenta
Pelos olhos do espelho
Em que me olho
E me certifico
Sem querer acreditar
Que as rugas são mesmo minhas.
E o novo dia surge da fila
Espreitando por debaixo do
creme
Que insisto em usar
E que todos os dias removo
Para na área limpa outro
espalhar
Na vã tentativa de o espelho
enganar…
Me mostra as rugas à voltas
dos olhos
Mas eu mudo a direcção da luz
A potência da luz
Recuso mesmo a encarar em
alguns dias
Depois de longas noites de
insónia
De fuga cada vez menos eficaz
!
Mas resisto !
Estala a camada e espalho logo
outra
Não choro para não alterar
De lágrimas o verniz
Não rio por já não saber rir.
E os dias
Implacavelmente
Luminosos ou cinzentos
Em fila indiana
Vão contemplando
Com seus olhos de Sol
A batalha que vou perdendo
À flor da pele !
A: Reis Caçote
03/1983



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