POESIA - DE AUTORIA ANÓNIMA - São 18 poemas de 1982/84
VAMOS TENTAR QUE, POR QUALQUER MOTIVO, NOVO DE TÃO VELHO, SE PERCAM, NÃO OS MEUS TEXTOS, MAS OS DE QUEM MENOS GOSTARIA SE PERDESSEM:
POR ENQUANTO VAI FICAR NO ANONIMATO A AUTORIA!
POESIA DE AUTOR:
I - RACIONALIZAÇÃO
Cruel vida
Amorfa permanência
Diria
Mas recuso
Porque a penetrei
Viajei nela
até ao mais
profundo desalento
Abanei-a violentamente
Fi-la vomitar tabus
E engolir preconceitos
Por isso sorvo-a
desmedidamente
como quem ganha
asas...
e possui os céus...
Digo
viajarás comigo
amorfa vida
até que o amanhecer
não escureça
nunca mais
olhos de silêncios contidos.
Autoria: anónima
17/01/85-dig.04/18
II - SEM TITULO
Sou uma árvore
a quem arrancaram
as raízes
as folhas murcharam
e tombaram
lentamente
pelos campos.
Se um vendaval
viesse agora
as minhas folhas
perdidas
ganhariam asas
e num voo volátil
desapareceriam
sem que chorasse
O Outono
despe-me
e o frio
não me perturba
Autoria: anónima
19/01/85-dig.04/18
III - SEM TITULO
O chão das alturas
estorva o meu passeio
Caminhei muito alto
Tão alto que o chão desapareceu
Quando quis sentir
os pés no chão
percebi que o chão
não tinha base
Era tudo uma camada seca de desesperos
Pude então sentar-me
e pensar.
Autoria: anónima
12/01/85-dig.04/18
IV - SEM TITULO
Choro as migrações
dos pássaros
por que perdi
o vento que os levou.
Autoria: anónima
19/01/85-dig.04/18
V - PRIMEIRO
À praia voltamos ao cair da tarde
Como pescadores
do silêncio
navegando
na maior embarcação
que o mar
vez alguma
engoliu.
Autoria: anónima
17/01/85-dig.04/18
VI - AMOR AO MAR
As gaivotas voam ao longe
do azul
que em mim nasceu,
por que anunciam
sal e profundezas
de invernias
no mar alto
O barco levou-nos
e lançou ancora
na perpétua verdade
que o MAR
possui a AREIA
Banhaste-me
onda suave
de espuma envolvente
Navegarei sempre
nas tuas águas
até que as lágrimas
não sequem.
Autoria: anónima
17/01/85-dig.04/18
VII - UM POEMA RECENTE
Tenho um sorriso
guardado
fechado
no ciso
da solidão...
Sorriso que encontrei
perdido
achado
no meio do chão...
Um sorriso
encantado
a florescer no teu rosto
ou só apenas um esboço
de um luar
no Sol posto...
Agora tenho um sorriso
guardado no meu olhar
ou um silêncio incidente
a divagar pelo mar...
Autoria: anónima
Setº/83-dig.04/18
VIII - IN IDEM
As mãos brancas
dentro da penumbra
desta noite sem estrelas
Mais parecem
um pássaro cego
quedo subitamente
no breu escasso.
in
Alegremente,
a madrugada!
Autoria: anónima
22/9- dig.04/18
IX - IN IDEM
A Lua
demora
o Sol
no leito nocturno,
porque os amantes
encontram
lentamente
a limpidez da luz...
Autoria: anónima
26/9 - dig.04/18
X - IN IDEM
Não penso
Não ouço o Sol
Parto
Parto de mim
esqueço
Esqueço o infinito
Morro
Morro sentada
defronte ao luar...
Autoria: anónima
12/9-dig.04/19
XI - IN IDEM
E aqui estou eu
Suspenso deste raio de luz
que se alonga para além da noite
transportado por uma lágrima de
cristal facetado
Transportando num gesto de revolta
para além do papel
em direcção ao dia
ao Sol
à Fúria!
Autoria: anónima
29/10 - dig.04/18
XII - SEM TITULO
E aqui estou
a meio da noite e da vida
à procura de um sorriso
que perdi
e que não encontro
Não por ser de noite
mas por falta de treino!
E aqui continuo
de noite
a empurrar para o frio
da noite
este frio que me não larga
de noite
e de dia
e que o sorriso que perdi
espantaria.
Esperarei
se preciso a noite toda
pelo dia
que há-de trazer o sorriso
e levar o frio
Definitivamente. Sem ruídos
e sem lágrimas!
Autoria: anónima
29/10-dig.04/18
XIII - SEM TITULO
Nas trevas
e à chuva
vou tacteando o mundo
em busca dos meus olhos
que perdi
no esforço de ver
nos teus olhos um permanente
e claro sorriso
que a distância
e a vida
insistem em fazer perder-se.
Sorri, mesmo na da tristeza
seja em que lugar fôr e
envia-mo
mesmo que contido num poema!
Autoria: anónima
02/11-dig.04/18
XIV - SEM TITULO
Luminoso o pranto
melancólico das chuvas
espectro de um Sol doente
Este dia morto
aguenta um olhar lívido
Há mãos a cair dos bolsos
olhos ensanguentados
tristezas velhas
corrupios de folhas últimas.
Há um canto mudo
como um lago seco
há um sorriso pendente
disperso na multidão
Há a alegria
tocada como um fruto
fora do seu tempo.
Autoria: anónima
11/11 -dig.04/18
XV - SEM TITULO
Morreram-me nas mãos
duas palavras pequenas.
O lugar idóneo
perdeu-se na procura.
Três asas romperam
o céu incandescente.
A noite deitou-se
abraçada ao Sol.
Um pássaro foi atropelado
mortalmente por um helicóptero.
[...]
Tudo isto vi
enquanto me deitava.
Agora fico na rua
sentada no muro
Só sentada.
Autoria: anónima
7/11-dig.04/18
XVI - SEM TITULO(mas com uma nota:"gosto muito deste")
As mãos brancas
dentro da penumbra
desta noite morta
Mais parecem
um pássaro cego
quedo subitamente
no seu excesso.
Autoria e apreciação inicial: anónimas
22/9 - dig.04/18
XVII - SEM TITULO
Chiu, não fales
se pudesse ficava aqui.
parto. é tarde
a maré vai-se
lentamente despindo-se
cobrindo-se de surdos silêncios
recta directa.
simples e verdadeira
vai-se consumindo
o vagar de escrever as ondas
Naquela curva iluminada
espero-te
- no teu corpo demoro -
enquanto a Lua não morre
Vem e traz-me o teu mais
mais límpido sorriso
nas mãos.
Autoria: anónima
6/11-dig.04/18
XVIII - SEM TITULO
Perguntei ao vento
sabes onde mora o rio?
Respondeu-me o vento
mora do outro lado do mar.
Agarrei o casaco
(era Inverno)
ensaiei dois passos de dança
e pus-me a galope.
Fez-se do dia uma noite
escura, apagada.
Perguntei à noite
Sabes onde pára o mar?
Respondeu-me a noite
o mar não pára
tem um perpétuo movimento.
Então sentei-me e adormeci
Acordei contente. Sentada no
rochedo mais alto que vira.
Do outro lado
um fio de água. O rio!
E eu cheia de sede.
Autoria: anónima
8/11 - dig.04/18
Nota
do digitalizador: são 18, os poemas; se mais houvesse, mais
reproduziria!
Passaram a ser anónimos e secretos, até
que a autoria surja!
Leiria, 28 de Abril de 2018
Zé
Cassiano!

Comentários
Enviar um comentário